quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Caravaggio

A Ceia em Emaús - 1600/1601
Michelangelo Merisi da Caravaggio (Milão, 29 de Setembro de 1571 – Porto Ercole, comuna de Monte Argentario, 18 de Julho de 1610) como pintor atuou intensamente em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É o primeiro grande expoente Barroco da Europa, gênero que após a sua obra receberia uma outra órbita de importância.
Ainda vivo, Caravaggio era considerado enigmático, fascinante e perigoso. Ele foi um "vanguardista" livre das convenções tanto na arte quanto na vida, era desprendido, corajoso, pronto a romper paradigmas estéticos em suas obras e a transgredir a obediência civil em sua vida privada, mas isso é outra história. O gênio é muito maior que aquele homem instável e tempestuoso que terminou sua vida exilado após cometer um homicídio, além de tantos outros delitos menores. O importante em Caravaggio é a verdade contida nas obras, até então não ha registro de nenhum pintor que possuísse o seu realismo e a maior parte dos especialistas dizem que mesmo após, nenhum outro fez sombra ao impacto de suas composições. No auge do espírito de contra reforma no velho mundo, surge Caravaggio com um ateísmo velado pintando as figuras sacras sem nenhum glamour extra, chegando ao ponto de usar uma prostituta morta como modelo para uma Maria em "A Morte da Virgem"¹, obra que quando entregue foi rejeitada pela ordem que a encomendou após ter sido considerada indecente pela humanidade dos ícones pintados. Um bom exemplo do espírito de Catravaggio está em "A Ceia em Emaús" (acima), quando ele abala retratando um Cristo profundamente anti-espiritual para a visão tradicionalista; Mostrou-o como um jovem de rosto carnudo, sem barba e sem dramaticidade, obtuso frente à decisão daquele momento. Mas por que Jesus não poderia ter esse aspecto? Na verdade Caravaggio age com uma maestria não passional, pois com essa fisionomia despretenciosa de Jesus ele possibilita que o drama pertença ao episódio em si, essa é a sua grande marca, de permitir que o conjunto e não apenas os teoricamente protagonistas componham o quadro de maneira decisiva, todavia, em momento algum ele se desapercebia dos temas centrais. O modo com que focaliza o essencial (ou talvez com que o traz e faz atravessar a barreira invisível da superfície da pintura, levando-o ao espaço do observador) causou uma grande impressão em seus contemporâneos. Ele procedia a narrativa mediante todos os elementos da obra, entre os quais a luz e sombra teêm grande deestaque. Partindo de Jesus a luz irradia-se para fora; a história é contada por meios de efeitos simples que a própria natureza provê, porém, a forma de interpretá-los os tornam colossais. Depois de Caravaggio, outorgou-se um novo patamar ao drama natural, as infinitas variações de luz por exemplo, foram exploradas e podem ser percebidas na obra de quase todo o pintor de expressão surgido posteriormente. Caravaggio, tal como Masaccio e Giotto, foi sem dúvida um pivô histórico-artístico.
 
 
A Morte da Virgem¹ - 1605/1606
Outras obras de marcantes:
São Matheus e o Anjo - 1602
A incredulidade de São Tomé -  1599
Narciso - 1.597
O Sacrifício de Isaac - 1603
Crucificação de São Pedro - 1600/1601 

Nenhum comentário: