sábado, 27 de setembro de 2008

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"Ridi, Pagliaccio, sul tuo amore infranto,
ridi del duol che t'avvelena il cor!"
(R. Leoncavallo)

De todo aquele tempo, de toda aquela andança
Nada foi produzido que subsistisse ao caos da noite.
As coisas da terra à terra tornam, as coisas de meu peito
Em mim permanecem, estrangeiras.
 Não pertenço a esse lugar, não pertenço a coisa alguma
Já fui escravo, hoje sou ninguém.
Se conseguisse ser o que nunca pude talvez pudesse ser feliz aqui,
Todavia, acomete que não sou, nunca foi permitido.
O exílio é a minha casa, o não-ser é meu existir.
Sempre dancei com lobos,
Embora isso nunca tenha me impedido de dançar!
Mas o instante passou; a vida, passa.
Aquele mundo não existe mais, o Titã acorrentado jaz,
Deixado à própria sorte nessa terra amaldiçoada.
Eu sou o guardião daquele passado, eu sou o guardião
De tudo quanto nunca pode ser.
Que importa isso? Que importaria se tudo fosse êxito?
Pode ser que a totalidade fosse coisa alguma,
Que a vida nada fosse, ou é, além de teatro.
Não morrerei agora, já aconteceu, há muito tempo.
O amanhã é irremediável, o amanhã...
... Sempre dita novas cores.
Hoje eu escrevo, um dia,
Não escreverei mais.


 Porto Firme, 27 de Setembro de 2008


Um comentário:

Katty disse...

Ei querido, já te disse... demoro, mas não deixo mais de aparecer por aqui... Seus textos me cativam, atraem, viciam.
Não deixe de escrever.. é bom por pra fora, ajuda a nos conhecer mais e mais.

Bjo enorme e... mais uma vez... fico aqui boquiaberta com suas externações. Fantástico!

Com carinho, Karina Porto Firme