sábado, 11 de abril de 2009

Mirdad

"O Amor é a seiva da Vida. O ódio é o pus da Morte. Mas o Amor, tal como o sangue, precisa não encontrar obstáculos para circular nas veias. Reprimi o movimento do sangue e ele se tornará uma ameaça, uma praga. E que é o Ódio senão o Amor reprimido ou Amor retido, tornando-se um veneno tanto para o que alimenta como para o alimentado, tanto para o que odeia como para o que é odiado.

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Não há outro amor possível senão o amor a si próprio. Mas nenhum ser é real, senão aquele que abrange o Todo(...)

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Se o Amor vos faz sofrer, é porque ainda não encontrastes o vosso próprio ser, nem achastes ainda a chave de ouro do Amor, pois se amais um ser efêmero, o vosso amor é efêmero.O amor do homem pela mulher não é Amor. É algo muito diferente. O amor dos pais pelos filhos é tão somente o limiar do sagrado templo do Amor. Enquanto cada homem não amar a todas as mulheres, e vive-versa; enquanto cada criança não for filho de todos os pais e de todas as mães, e vice-versa, deixai que os homens se gabem de carnes e ossos que se apegam a outras carnes e ossos, mas jamais deis a isso o sagrado nome de Amor. Será blasfêmia."

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"Cuidado com a glória cacarejante, companheiros. Assim como silenciais a vossas vergonhas, silenciai também as vossas glórias, pois a glória cacarejante é pior que a vergonha em silêncio e a virtude apregoada é pior do que a iniqüidade muda.Evitai o demasiado falar. Em cada mil palavras pronunciadas, às vezes só há uma única que verdadeiramente é necessário pronunciar. As restantes só servem para nublar a mente, entupir o ouvido, cansar a língua e cegar o coração.Como é difícil dizer a palavra que realmente deve ser dita!"

*Mikhaïl Naimy in O Livro de Mirdad (Trechos dos cáp. 11 e 12)

Um comentário:

monica disse...

Estou gostando muito disso...
Mirdad !