sexta-feira, 23 de julho de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Don Quixote Pas de Deux
domingo, 25 de abril de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Montserrat Caballé
Wagner
A algum tempo venho estudando o mundo de Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, 22 de maio de 1813 — Veneza, 13 de fevereiro de 1883) e me achei na obrigação de citar algumas coisas a respeito. Mulherengo, aproveitador, cínico, vaidoso mas, sobretudo gênio. Foi ele o maior compositor clássico do povo alemão no gênero ópera, revolucionando aquele cenário musical de então com uma proposta inédita. Nessa época as óperas em sua maioria tinham temas leves, feitas somente para entreter, ou ainda possuíam argumentos que vislumbravam a decadência humana numa tradição próxima da tragédia grega, todavia, isso era realizado de um prisma mais individual. Wagner amplificou isso, com o auxílio de lendas do seu povo e alguns personagens históricos ele cria uma música que ambicionava unir o povo alemão em torno de um espírito comum. Exaltando-os como uma grande raça descendente direta dos míticos árias pais de Siegfried, Wotan e todos os outros heróis da gnose germânica. Além de músico, Wagner também era maestro, poeta, teórico musical e ensaísta. Alguns dos homens mais influentes da Alemanha vieram dar com ele mantendo relações estreitas como o filósofo Friedrich Nietzsche que chegou a considerar-se seu pupilo, além do rei Ludwig II da Bavária, o qual foi seu maior patrono e nutria por ele a admiração de um peregrino ante o sacrário. Apoiando-o ilimitadamente e sendo submisso a todos os seus caprichos. Mas talvez o que chame a atenção na obra de Wagner foi o fascínio que ela despertou sobre um homem já no século XX, seu nome era Adolf Hitler.Ao assistir Rienzi, a ópera sobre o dilema histórico do revolucionário Cola di Rienzo, ele teve um insight e no pequeno teatro de sua modesta cidade Linz vislumbrou o que seria anos mais tarde a ideologia que deixaria enfeitiçado todo a Alemanha. Essa peça que tanto o inspirou é ambientada na Roma Medieval, Rienzi, porta-voz do povo, opõe-se à aristocracia. Ele quer retroagir um século e restabelecer a República da Antiguidade. Ele passa a ser o porta-voz do povo e os convoca a uma luta pela soberania frente ao tirano rei. Hitler comoveu-se profundamente com Rienzi, e supondo-se como uma espécie de versão alemã do herói, ele traça planos para seu futuro e para o futuro do seu povo. Mais tarde diria: ''Foi naquela hora que tudo começou”. Além disso há outras passagens onde Hitler afirma por exemplo: ''Só entende o Nazismo, quem conhece Wagner''. Ocorre que nosso compositor era também um anti-semita radical. E esse fato associado à história de Hitler faria Wagner parecer o idealizador do nazismo no século XIX, o que não é verdade. Na época de Wagneriana, os judeus eram o bode expiatório da sociedade alemã, se algo não dava certo o lugar comum era culpar judeus por isso. Nesse sentido, ter idéias anti-semitas era considerado normal. Tão normal que o nazismo hitlerista emergeria anos depois como uma continuidade dessa linha de pensamento. Mas o fato é que politicamente correto ou não, amante da causa humanista ou não, Wagner foi grande.
Sua música é difícil, como ele mesmo dizia. Para ouvir uma ópera italiana basta estar relaxado ou despretensioso, já a experiência de Wagner é tensa, traz uma busca pelo resgate da glória, como aceitar um escultor remodelando seus sentidos às marteladas. Abaixo deixo aqui alguns vídeos, de partes da ópera favorita de Hitler. Sua fantástica abertura e a bela “oração de Rienzi” onde ele pede forças aos Deuses para recompor o passado glorioso de seu povo, essa ária vai interpretada pelo tenor alemão René Kollo em setembro de 1986 na ópera de Berlim, espero que gostem.
*Leandro M. de Oliveira.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
The Drowning
Por três dias estive de péPor três dias estive de pé
Por outros seis fui abatido no chão
Incisões não podem penetrar em meus pés
Provocar tensões, fazê-los escorregar, deixá-los dormentes
As mãos se mantiveram atadas à pele sem carências
Rasgada, oculta, invocadas em silêncio
Você, em habitações mudas
Você, num sono de sarjeta – amor
Você, nasce para ser morto – luvas enfaixadas
Você vestindo filhas e filhos
Assim como você – eu estou despedaçado e frágil
Assim como você – estou provando meu coração pela primeira vez
Assim como você se alimentando num breve descanso
Assim como você – deixei meus olhos distantes para trás
Pedindo atenção e ainda me afogando
Repouse no oitavo dia
Repouse no oitavo dia
Fui arrastado de volta ao primeiro
Dedos indelicados enfraquecem meus olhos
Eles choram, espreitam, se debatem cegamente
Não há sanidade para que eu volte a ficar de pé
Estou num quarto vazio
Estou incendiando a formalidade dos livros
Estou perdido com você na cama
Quebrando os espelhos para por fim em tudo que já vi
Assim como você – eu estou despedaçado e frágil
Assim como você – estou provando meu coração pela primeira vez
Assim como você se alimentando num breve descanso
Assim como você – deixei meus olhos distantes para trás
Pedindo atenção e ainda me afogando...
*Rozz Willliams
sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Vesti la Giubba
Recitar! mentre preso dal delirio,non so più quel che dico,
e quel che faccio!
eppur è d’uopo, sforzati!
bah! sei tu forse un uom?
tu se’ pagliaccio!
vesti la giubba,
e la faccia infarina.
la gente paga, e rider vuole qua.
e se arlecchin t’invola colombina,
ridi, Pagliaccio, e ognun applaudirà!
tramuta in lazzi lo spasmo ed il pianto
in una smorfia il singhiozzo e ‘l dolor, ah!
ridi, pagliaccio,
sul tuo amore infranto!
ridi del duol, che t’avvelena il cor!
*Ruggero Leoncavallo - Il Pagliacci 1892 (Ato I)
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Brava Callas! Brava Maria!
"Se você ama a música a ponto de servi-la humildemente, o sucesso acontecerá automaticamente” – Maria Callas
Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza. Quem viu seus olhos expressivos, a visceral interpretação de suas violetas, rosinas, turandots, lucias e normas jamais voltará a se conformar somente com uma bela voz de soprano. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos. Em sua pele, nenhum personagem de ópera era ficcional. O sangue fervia, a dramaticidade explodia, puro êxtase. Butterfly era um lamento nunca ouvido, Magdalena a voz da emoção, e Violeta morria de olhos abertos, encarando uma platéia atônita e chocada.
Ela encantou Pasolini, Zeffirelli e Visconti, emudeceu poderosos e seduziu milhões. Era a Grande Callas, La Divina Callas, sobrenome que nem era seu e que criou fazendo um anagrama com o nome do maior templo da ópera: o teatro Scala, de Milão. Paradoxalmente, essa mulher que fazia de seu canto a expressão máxima de todos os sentimentos humanos, foi desprezada pelo único homem que amou. A crueldade do armador grego Aristóteles Onassis pode ser medida por uma frase proferida quando a voz de Maria já declinava, em que comparava sua poderosa voz a “um apito que você traz na garganta”.
Boa parte da atração que Maria Callas exerce sobre o grande público tem raízes fincadas exatamente em sua biografia, permeada por espetaculares feitos e por escândalos alimentados pela mídia. Veja-se o caso do milionário Onassis. No auge da fama, Maria sofreu tremendo assédio por parte do armador grego, que era casado com Tina. Presentes luxuosos e toda sorte de mimos foram usados por Onassis para convencê-la. Ela capitulou e mergulhou em uma relação atormentada, onde foi submetida a humilhações, como o desprezo de Christina, a filha de Onassis, ou o momento em que teve de depor em um tribunal americano sobre sua participação na separação do casal Onassis. Seu divórcio de Giovanni Battista Meneghini foi explorado à exaustão pelos jornais, suas explosões de fúria ficaram registradas pelos fotógrafos, sua intimidade foi devassada.
O mundo acompanhou a grã sacerdotisa do canto quando ela descobriu amor e sexo aos 36 anos e então desejou deixar de ser deusa e assumir uma vida mais pacata e caseira: “Só desejo um marido, filhos e um cachorro”, declarou.
Aristo - a forma carinhosa com que Maria tratava Onassis na intimidade – coroou sua passagem pela vida de Callas trocando-a por Jacqueline Kennedy quando esta enviuvou do presidente americano. Repetiu com Jacqueline o assédio que havia feito a Maria. O trauma emocional de Callas foi proporcional ao impacto causado pelo novo casal Onassis
Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima.
Mas, além da curiosidade que despertava e dos escândalos que protagonizava, Maria era uma artista fulgurante. Nada em sua biografia se compara ao poder encantatório de sua voz. A gravação da sua mais famosa apresentação da Norma, de Vincenzo Bellini (1801-1835), com a orquestra do Scala, regida pelo maestro Tullio Serafin, é um ícone da história da ópera pela emoção e dramaticidade que emergem da voz de Maria. Norma foi o papel que Callas mais representou: 92 vezes. A ópera toda – mas principalmente a ária Casta Diva – consolidaram sua reputação e sua fama. Curiosamente, a seu amor pelo canto deve-se o resgate de Norma, que habitava um certo limbo, bem como algumas óperas de Rossini, a quem emprestou um sopro de graça e leveza.
Inspirada pela condução segura de Serafin, Maria fez mais: subverteu as regras até então aceitas
no canto lírico e ousou desconstruir a exagerada especialização que se instalara. Os sopranos, em sua época, estavam subdivididos em dramático, mezzo, coloratura, ligeiro e spinto. Ninguém ousava romper a barreira. Maria fez isso, e logo na estréia em Verona, em 1947, aos 24 anos. Contrariando tudo o que até se acreditava, cantou na mesma semana Tristão e Isolda, de Richard Wagner, Turandot, de Giaccomo Puccini, e voltou a Wagner no papel de Brunnhilde. Um verdadeiro feito o de cantar – e simultaneamente - o repertório de vários tipos de soprano.
Décadas depois, em uma das famosas master classes que Callas deu na Juilliard School of Music em Nova York, em 1971-72, ela sentenciou: "Hoje só se fala em baixo profundo, baixo cantante, barítono-baixo ou soprano ligeiro, soprano spinto, soprano disso, soprano daquilo. A cantora é soprano, e basta! Um instrumentista faz os baixos e agudos. Do mesmo modo, um cantor deve cantar em todas as tessituras".
Sua interpretação da Tosca, de Giacomo Puccini (1858-1924), também entrou para a história do bel-canto, principalmente na apresentação que fez no Scala sob a regência de Victor de Sabata. Floria Tosca foi representada 39 vezes por Callas, mas nada se compara com a majestosa apresentação de 1953, em que Maria contracena com dois outros cantores respeitáveis: o tenor Di Stefano e o baixo Tito Gobbi.
Curiosamente, a Tosca ocupou especial lugar em sua vida. Maria - nascida em Manhattan, filha de gregos - estreou na Ópera Nacional de Atenas em 1942 exatamente com a Tosca. E foi com ela que encerrou sua carreira em 1965, em Londres.
Maria morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, em 16 de setembro de 1977, vítima de um infarto. Enquanto o enterro percorria a rua Georges Bizet, centenas de parisienses que choravam saudaram a passagem do esquife com a saudação que emocionava Maria na saída dos teatros: “Brava Callas!, Brava Maria!”. Na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Prólogo (ou Uma Apresentação Clichê)

Eu sou o Tenebroso, o Irmão sem irmão,
o Abandono, Inconsolado,
o Sol negro
da melancolia
Eu sou Ninguém, a Calma sem alma
que assola, atordoa e vem
No desmaio do final de
cada dia...
...Eu sou a Bala que voa pra sempre, sem rumo,
perdida
Eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
Eu sou o Morro, o Soberano, a Alegoria
que foi a minha vida
Eu sou a Execução, a Perfuração
O Terror da próxima edição dos jornais
Que me gritam, me devassam e me silenciam.
