quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Multiplicidade do Gênio

Há variedade de gênios como há múltiplos talentos e belezas. Alguns génios são inovadores, outros são pensadores profundos, outros são pessoas de extraordinária habilidade, alguns têm uma imaginação fora de vulgar ou formas enviesadas de ver as coisas, alguns são superiormente inteligentes, outros apaixonadamente curiosos; a maioria é a combinação de, pelo menos, três destas qualidades, constituindo uma mistura volátil de dádivas intelectuais e traços de caráter. As dádivas intelectuais são a habilidade para ver as coisas de ângulos muitíssimo improváveis, de relevar o que não é essencial, e entender o verdadeiro significado do óbvio. Os traços de caráter são a persistência, teimosia, a capacidade para se entregar a grandes esforços, e a indiferença perante o ridículo ou a hostilidade de qualquer um que pense que aqueles fins perseguidos, os objetivos e as inovações em questão, são loucos.

A genialidade tem qualquer coisa da abertura e prontidão mental de uma criança, essa engenhosa capacidade para ver de outro modo, para dar saltos imaginativos e combinar coisas aparentemente inconciliáveis em novos sistemas. Entre os gênios, os grandes pensadores - Platão, Aristóteles, Newton, Kant, Einstein - viram para um lugar onde as raízes de coisas muito diferentes se juntam e enredam subterraneamente. Alguns gênios dificilmente são conscientes do seu poder, mas criam a impressão de uma transbordante abundância de talento. Mozart era um desses. O Talento está também no gênio de pintores e escultores, nos melhores cirurgiões, artesãos, jardineiros e arquitetos. Também há gênios calmos: o gênio dos poetas e dos grandes novelistas, e há gênio visionário nos grandes homens de estado e generais. Alguns gênios devem o seu sucesso ao cuidado, estudo, esforço tenaz, dedicação e "focus", determinação e coragem. outros devem-no a um flash de feliz e excêntrica inspiração no espaço e no tempo certo para ela.
*A.C. Grayling

2 comentários:

Janara Morenna.: disse...

Gostei muito do seu texto. Pra mim os gênios possuíam muitas VIDAS, se olharmos de perto, acho que todos eles possuíam múltiplos interesses em áreas/ciências que nem sempre dialogavam entre si, mas que sempre se conectavam de certa forma e que talvez operassem de forma a torná-los mais abertos, como vc citou ou quem sabe mais humildes (não no sentido passivo) para sempre estar aberto ao questionamento, revolução, crítica e sugestão. Hoje vivemos a pós- hiper especialização, Edgar Morin filósofo francês contemporâneo que o diga, em seu Pensamento Complexo, Morin propõe um olhar interdependente onde as ciências não podem buscar o conhecimento isolado por ele considerado um ato pretensioso... Daí vemos o surgimento de novas áreas do conhecimento que sem tanta culpa misturam um pouco de cada e depois analisam epistemologicamente a condição de sua própria (in) existência - aí mora o perigo. Antes de começar acabar pelo olhar medíocre que não admite uma forma ampla e conectada como o olhar do seu gênio múltiplo. Agora cá entre nós, como pode no passado termos tido tantos notáveis com tão poucas ferramentas de pesquisa e tão assustadoramente novos? Nossos gênios eruditos que produziram o maior legado intelectual eram o que consideramos hoje crianças ou adolescentes. Quando no auge dos 30 já tinham vivido tudo, suas obras eram vastas e já estavam quase morrendo de tuberculose (como quase todos os gênios de séculos passado) depois morriam de cocaína.

Frases Bob Marley disse...

Olá. Tenho um especial de frases do Platão, segue o link: http://www.quemdisse.com.br/especial.asp?QDCOD=E8G168UXNGBJ4MMDG4S9&t=faleceu-em-21/05---frases-de-platao .