Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite? Sem paz,
sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.
*Rainer Maria Rilke
*Rainer Maria Rilke
Il dissipe le jour,
*Paul Éluard
1. Amarás o universo, a natureza e a vida sobre todas as coisas. (Francisco de Assis).2. Amarás a ti mesmo com o esquecimento e o mundo com a lembrança. (Buda, Hannah Arendt)
4.Não forjarás ideais contrários à vida e à alegria de viver. (Sêneca, Lucrécio, Nietzsche)
5. Não te torturarás com o passado e com o futuro para não sofreres em vão. (Buda, Sêneca, Nietzsche)
6. Só desejarás a justa medida das riquezas: primeiro, o necessário; segundo, o suficiente. (Sêneca)
7. Não dirás que tua vida é ou foi frustrada; vida alguma jamais se frustra. (Sêneca, Nietzsche, Henry James)
9. Não dirás que tua verdade é a única, e sim aquela em que mais acreditas. (William James)
10. Não eternizarás esse decálogo. (todas as vítimas da intolerância)

*Folha de São Paulo, Caderno MAIS!, 26 de dezembro de 1999.
“Quando buscávamos o amor, quando nos apaixonávamos, estávamos em busca da outra metade que tínhamos perdido, como tinha dito Aristófanes, mas também Platão num discurso atribuído a Aristófanes. No início, homens e mulheres eram redondos como o sol e a lua, eram ambos macho e fêmea e tinham dois órgãos genitais. Em alguns casos ambos os órgãos eram machos. E o mito continuava. Estes eram seres auto-suficientes e orgulhosos. Desafiaram os deuses do Olimpo, que os puniram cortando-os ao meio. Foi esta mutilação que a humanidade sofreu. De modo que, geração após geração, buscamos a outra metade, ansiando ser de novo inteiros.***
Ser-se humano era ser-se mutilado, amputado. O homem é incompleto. Zeus é um tirano. O Monte Olimpo é uma tirania. O trabalho da humanidade no seu estado amputado é procurar a metade que falta. E, após tantas gerações, a nossa verdadeira metade simplesmente não é encontrada. Eros é uma compensação outorgada por Zeus – provavelmente por motivos políticos próprios. E a busca pela nossa outra metade é em vão. O encontro sexual permite um temporário esquecimento de nós próprios, mas a dolorosa consciência da nossa mutilação é permanente.
***
As pessoas são vencidas por fim pelos seus desejos solitários e pelo intolerável isolamento. Elas precisam da certa, da porção que falta para ficarem completas e, como em termos realistas não podem esperar encontrá-la, acabam por aceitar um substituto razoável. Reconhecendo que não podem nunca, acomodam-se. O casamento entre espíritos verdadeiros raramente ocorre. O amor que se busca a si próprio até aos limites do destino não é um projeto moderno."

*Saul Bellow in Ravelstein
"Muitas coisas podem, de fato, acontecer que apresentam uma boa aparência, mas não procedem da raiz da caridade: mesmo os espinheiros têm flores.(Agostinho de Hipona)
Em tempos como esses considero a mensagem de Agostinho de Hipona como algo inspirador. Não é preciso ser alguém religioso para entender, eu mesmo não o sou, quando Agostinho nos diz “ama e faz o que quiseres” ela convida a cada um de nós para contemplar a vida como um acontecimento mais profundo, desvelando além das breves formas materiais, até romper a tênue barreira e entrar no caminho que da no reino das coisas verdadeiras. A filosofia agostiniana está assentada sobre os pilares da obra de Platão, se considerarmos isso e retrocedermos aos anos 340 a.c. mais ou menos encontramos “O Banquete”, que é o discurso onde esse pensador grego debate a questão do Amor e as suas várias facetas, Eros, Philia e Àgape. Considerando por último em seu discurso que a melhor definição de Amor seria algo próximo da busca incessante pelo que é bom e pelo que é belo, Platão deixa seus ecos nas palavras de Agostinho quando esse nos chama à necessidade desse sentido ético que é a caridade (ágape), pois não pode haver beleza ou bondade na perdição e na injustiça por exemplo. Então “ama e faz o que quiseres”, assim sendo, se amar tudo te será lícito porém nem tudo te será conveniente, com efeito deve-se concluir que o limite do Amor e da Liberdade é o rosto sofrido do próximo, é a falta de sentido em usurpar algo de quem pouco tem. Nisso reside a grandeza humana, em aceitar a conexão invisível entre os seres e trabalhar pra que todos se realizem, pois essa realização é também a minha própria. Lembrai, a vida pouco vale, esse teatro a que estamos submetidos não é mais que pó na estrada da evolução.

*Espero que essa leitura tenha sido de algum proveito, minha "Constante Mítica". A você os meus melhores pensamentos e os gestos da minha mais profunda ternura.
*Mario Quintana


Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

