
sábado, 13 de dezembro de 2008
DA ORIGEM DAS IDÉIAS

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
FAZ SENTIDO ARGUMENTAR ACERCA DA EXISTÊNCIA DE DEUS?

Nosso tempo: Sociedade do Espectáculo (O parecer em detrimento do ser)

domingo, 7 de dezembro de 2008
O fim?

UMA CRIATURA
Sei de uma criatura antiga e formidável, Que a si mesma devora os membros e as entranhas, Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas; E no mar, que se rasga, à maneira de abismo, Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo. Cada olhar que despede, acerbo e mavioso, Parece uma expansão de amor e de egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo, Gosta do colibri, como gosta do verme, E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme; E caminha na terra imperturbável, como Pelo vasto areal um vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo Vem a folha, que lento e lento se desdobra, Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra: Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto; E é nesse destruir que as forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto; Começa e recomeça uma perpétua lida, E sorrindo obedece ao divino estatuto. Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a vida.
*Machado de Assis (Ocidentais, in Obras completas, 1901.)
A necessidade da descoberta de um sentido de ética

Nel Mezzo del Camin…

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Da Vida Feliz

“ Dizemos que o prazer é o começo e o fim da vida feliz. Sabemos que ele é o bem primeiro e conforme à nossa natureza e é dele que derivamos toda a escolha e toda a rejeição. (…) Há casos em que excluímos muitos prazeres se daí resultar para nós aborrecimento, julgamos muitas dores preferíveis aos prazeres quando dos sofrimentos que suportamos resulta para nós um prazer mais elevado.
Assim, todo o prazer é, em si mesmo, um bem, mas nem todo o prazer deve ser procurado; do mesmo modo, toda a dor é um mal, mas nem toda a dor deve ser evitada.
Deste modo, para decidir, convém analisar atentamente o que é útil e o que é prejudicial, porque usamos, às vezes, o bem como se fosse um mal e o mal como se fosse um bem.”
*Epicuro, Carta a Meneceu
ARGUMENTUM AD HOMiNEM

O que faz com que o argumentum ad hominem seja tão persuasivo, e tão difícil de refutar, pode mostrar-se com o seguinte exemplo. Suponhamos que uma testemunha num tribunal está a depor e diz que viu o réu cometer um crime. Suponhamos, além disso, que ao interrogar a testemunha o advogado de defesa prova que esta já depôs em outros julgamentos e que em alguns casos o seu testemunho se veio a revelar falso (assumamos, para ajudar ao exemplo, que a testemunha chegou a ser condenada por perjúrio). A nossa tentação, enquanto juízes, seria a de não ter em conta o que a testemunha diz neste julgamento, pelo fato de esta não ser uma fonte de informação confiável. Contudo, não tê-lo em conta é incorrer na falácia do argumentum ad hominem. O que a testemunha diz nesta ocasião pode ser verdadeiro. Se possível, o seu testemunho devia ser testado confrontando-o com outra evidência disponível ou que pudesse vir a estar disponível durante o julgamento. Aquilo que é importante é reconhecer que devemos considerar o que é dito independentemente de quem o diz. NÃO PODEMOS MOSTRAR QUE UMA DECLARAÇÃO É FALSA APENAS PORQUE SE PODE MOSTRAR QUE O INDIVÍDUO QUE A PROFERE TEM FALTA DE CARÁCTER.
*Richard Popkin and Avrum Stroll, "Philosophy Made Simple"
Breve consideração sobre o fim

*Paul Bowles
Paul Bowles (1910-1999) foi um grande escritor norte-americano. Desde cedo se tornou um viajante incansável, acabando por fazer de Tânger a sua cidade de eleição. Nesta cidade marroquina viveu boa parte da sua longa existência, aí acabando também os seus dias. Na primeira fase de sua vida, dedicou-se sobretudo à música, tornando-se um compositor bastante requisitado. Foi, no entanto, a literatura que o tornou um nome incontornável. Escreveu quatro romances e inúmeros contos. A deambulação por paisagens (físicas e morais) estranhas e vertiginosas e a descida inexorável para o abismo são porventura os temas mais recorrentes na sua ficção. O contraste de uma prosa desapaixonada, exasperantemente descritiva, com a pungência das suas histórias, fazem de Paul Bowles um escritor do seu tempo e simultaneamente um escritor intemporal.




